segunda-feira, 10 de julho de 2017

Uma alegria indescritível!


Era tarde, uma brisa agradável tomava conta de nós. Tínhamos passado muito tempo conversando, com troca de olhares, sorrisos e brincadeiras. O clima de tão descontraído estava muito envolvente. Uma espécie de amor e ternura nos impregnava. Tudo aconteceu no dia nove de julho de 2017!

Passava o tempo e em nossa casa continuava o encontro, sorrisos e um sentimento que não dá mesmo para ser descrito fielmente. Com um violão por perto, uma rede que balançava ao sabor do vento naquele terraço tão gostoso e acolhedor.

O dia parecia que estava marcado para acontecer algo de novo, imaginei. Conversa vai, conversa vem, acenos e trejeitos de lado a lado, uma atmosfera ingênua, emocionante e alegre. Até nos filmamos e fotografamos para registrar aqueles momentos mágicos.

E assim a tarde foi nos envolvendo, o sol cedendo suas forças para um pôr-do-sol magnífico naquele local. Eu não poderia saber o que nos aguardava... Mas as conversas não paravam! Vários momentos de abstração total, de descontração e alegria, tudo quase ao mesmo tempo!

E eis que tinha chegado o momento da grande experiência. Foi por total iniciativa minha. Seria para ela uma grande descoberta, um pequeno passo na vida que significaria certamente uma sequência magnífica para o amanhã. E tomei a grande decisão!  

De repente, quase do nada, decidi que minha netinha Bárbara, com apenas três meses de idade, iria tocar os pezinhos no chão pela primeira vez! Eu a segurei pelos braços e delicadamente a coloquei de forma a encontrar o piso de nossa casa, simplesmente isso!

E foi lindo ver a alegria dela ao sentir aquele friozinho gostoso, que descarregava suas energias para a terra. Era como se estivesse correndo. Pela sua expressão de felicidade ela andava igualmente a todos nós! Foram momentos intensos e guardarei para sempre o sorriso de felicidade de minha querida Bárbara. Uma verdadeira princesa que já aprendi a amar muito!

A felicidade pode ser encontrada sem que a esperemos!



quinta-feira, 22 de junho de 2017

O 5º Encontro dos Filhos e Amigos de Balsas e a inesquecível apresentação do Conjunto Big Brasa no Clube Recreativo Balsense, em 1967!

  
Considerações iniciais aos filhos e amigos de Balsas – Maranhão

 (*) João Ribeiro da Silva Neto
 
Necessário este breve histórico para aqueles que não conhecem nossas origens familiares. Meu nome é João Ribeiro da Silva Neto. Meus avós, João Ribeiro da Silva, que foi uma referência local e Maria Ribeiro da Silva nasceram em Balsas, no sul do Maranhão. Os meus pais, Alberto Ribeiro da Silva e Francisca Amasile Pereira da Silva também nasceram na mesma cidade. Na cidade de Balsas as famílias praticamente todas se uniam e quase todo mundo era primo ou parente próximo ou amigo. Nas férias todos se encontravam e assim ocorriam encontros muito felizes durantes essas saudosas e inesquecíveis temporadas. 

Em razão da grande afeição pela cidade de Balsas, que o meu pai sempre manteve, além das amizades e parentescos existentes, logo surgiu a ideia de uma apresentação musical em Balsas, com o nosso Conjunto Big Brasa, fundado em abril de 1967 e que completaria hoje 50 Anos de Lembranças! O grupo nasceu com as novidades de um dos maiores movimentos musicais do Brasil, a Jovem Guarda, nos chamados “Anos 60”, o que se estende até hoje em dia marcando sempre sucesso. A intenção deste texto é unicamente associar um grande evento de amigos, em Balsas, através de uma festa organizada pelo meu primo Esmaragdo Neiva, aos 50 anos de existência do Conjunto Big Brasa e sua participação como primeiro conjunto musical da Jovem Guarda a se apresentar no Clube Recreativo Balsense, que acredito ser de muita importância para todos que preservam os aspectos culturais e históricos. Além de oferecer essas lembranças a todos os nossos amigos e parentes.

O Encontro dos Filhos e Amigos de Balsas

No dia 29 de julho de 2017 vai ser realizado mais um grande Encontro dos Filhos e Amigos de Balsas, já em sua quinta edição. O brilhante evento bienal é realizado pelo nosso primo Esmaragdo e Silva Neiva e tem conquistado mais sucesso a cada ano. A festa congrega amigos, filhos de Balsas e pessoas que admiram a cidade, muitas delas que se encontram morando em praticamente todo o Brasil.
Assim, em 2017 este Encontro será novamente realizado no Clube Recreativo Balsense! E com um detalhe, com músicas dos Anos 60 e de Jovem Guarda. O fato fez surgir uma ideia, de minha parte, no sentido de comemorar também os 50 anos da primeira apresentação em Balsas de um conjunto que utilizava as ainda não tão conhecidas “guitarras” e a música da Jovem Guarda, quando o Conjunto Big Brasa se apresentou de forma marcante e inesquecível no mesmo Clube, em Balsas, no final de 1967! Seria um registro fundamental desta participação musical em Balsas.

Em Balsas, uma festa marcante em 1967, há 50 anos, com o Conjunto Big Brasa!

O Clube que recebeu a festa com o Conjunto Big Brasa em 1967 há exatamente 50 anos ainda funciona no mesmo local da cidade, com uma estrutura bem melhor. É o conhecido Clube Recreativo Balsense (CRB). O Conjunto Big Brasa era integrado pelo Dummar, Carló, Marcos Oriá, Severino e eu (João Ribeiro). Chegamos à cidade e foi aquele sucesso estrondoso. Como grande novidade aquele grupo de jovens, muito novos, que com muito entusiasmo levavam o som de nossas guitarras. O fato de uma música nova, diferente, tocada por jovens e com instrumentos novos despertava muita atenção por parte de todos. Foto original de 1967, pertencente ao acervo do Conjunto Big Brasa.

Pensando nisso lembrei como seria importante uma homenagem para todas aquelas pessoas – e foram muitas - que participaram e incentivaram o evento, além logicamente dos componentes do grupo, (os irmãos e meus primos legítimos Carlomagno, "Carló" -in memoriam- e Adalberto Pereira Lima, ambos balsenses, que integravam o Conjunto Big Brasa de forma brilhante!  

E há outra feliz coincidência em 2017! O atual Prefeito da cidade de Balsas, Erik Silva, também meu primo e amigo, filho de José Bernardino Pereira da Silva (in memoriam), além de outras personalidades locais que deveriam ser homenageadas com os registros em meus livros que retratam a história, para que tudo pudesse ficar disponível nos centros culturais e históricos de Balsas!

E mais: a presença de componentes balsenses do Big Brasa!

E há outro motivo enriquecedor desata data. Dois componentes do Conjunto Big Brasa, que moravam em Fortaleza conosco, são de Balsas! Nada menos de que o nosso inesquecível Carlomagno Pereira Lima, o Carló (in memoriam) e seu irmão Adalberto Pereira Lima, os quais respectivamente tocavam contrabaixo e guitarra. Além disso, eu, João Ribeiro, guitarrista-solo do Big Brasa, que apesar de ter nascido em São José dos Campos, São Paulo, por uma contingência da vida, sempre me considerei balsense de coração, desde os tempos de infância até os dias atuais.

Uma verdadeira “Festa de Arromba” em Balsas, em 1967!

Os maiores entusiastas daquele evento foram sem dúvida o meu pai, Alberto Ribeiro e meu primo e amigo José Bernardino Pereira da Silva, conceituado e inesquecível médico da cidade, além de inúmeros outros parentes e amigos, como o Gonzaguinha e tantas outras pessoas. Os dois vibravam muito com a presença do Big Brasa, subiam ao palco, sendo visível a sua satisfação e gosto pela nossa apresentação, pela novidade apresentada e principalmente por sermos todos amigos e parentes! Assim o pessoal estava todo mobilizado e entusiasmado com a nossa presença.

A festa - muita curiosidade em torno das novidades!

A curiosidade e o desconhecimento de conjuntos faziam que surgissem confusões até mesmo de nomenclatura dos novos instrumentos (guitarras), quando uma pessoa da cidade perguntou para o meu pai Alberto Ribeiro, o “Mestre Alberto” como era chamado por muitos de seus amigos, logo após nossa chegada, se o nome daquele instrumento era “tarracha” ou guitarra. Ele sorriu pelo desconhecimento daquele termo e explicou direitinho, que o nome era mesmo “guitarra”. Seguimos do aeroporto de Balsas em cima de um caminhão, que rodou pelo centro e principais ruas de Balsas, acompanhado por outros carros (a maioria jipes), como uma “carreata”. O pessoal ficava olhando aquilo tudo, admirado e acenando das portas e janelas. Tudo aquilo foi realmente impressionante para nós e a responsabilidade pesava mais ainda, depois daquela recepção. E foi assim que o Big Brasa se tornou o primeiro conjunto com guitarras a se apresentar em Balsas. Daí se explicava toda aquela curiosidade e como muita gente ainda relembra com saudades dos acontecimentos.

A divulgação da festa no CRB, em Balsas, no ano de 1967!

Um panfleto circulou pela cidade, antes de nossa chegada, anunciando:

“A partir do dia 18 do corrente mês se encontrará em nosso meio o conjunto Big Brasa, autêntico representante da música popular moderna. Trata-se de um conjunto de jovens, onde figuram dois balsenses, e que vem alcançando grande sucesso no meio social de Fortaleza. Espera-se contar com o apoio integral do povo balsense para este acontecimento, que cumprirá uma dupla missão: recreativa e cultural”.

Componentes balsenses do Conjunto Big Brasa

Carlomagno Pereira Lima “Carló” - in memoriam

O nosso saudoso Carló era meu primo, amigo e cunhado. Contrabaixista do Conjunto Big Brasa, também exercia a função de um dos cantores do conjunto. Durante sua permanência fez parte da chamada “espinha dorsal” do Big Brasa. Moramos juntos por muito tempo, em Fortaleza, e o considero ainda como mais um irmão. Participamos de diversos momentos da juventude juntos, vivendo praticamente as mesmas emoções. Teve que deixar O Conjunto Big Brasa em virtude de ir cursar a faculdade na Escola de Agronomia de Mossoró, no Rio Grande do Norte, onde viria a se formar. Desenvolveu posteriormente projetos agrícolas em Balsas, assumiu por um período a direção técnica da Televisão Rio Balsas, afiliada da Rede Globo e foi professor de Física, Matemática e Ecologia na Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), em Balsas. Exerceu a função de diretor do Curso de Agronomia da UEMA.

Adalberto Pereira Lima

O Adalberto (também meu primo e irmão do Carló) depois da ida do Conjunto Big Brasa a Balsas teve seu ingresso no Big Brasa no final de 1967, quando chegou a Fortaleza para estudar, pouco depois de nossa estada em Balsas. Preparou-se para ingressar no conjunto, aprendendo violão. Ao chegar, logo assumiu a função de guitarrista-base. Após algum tempo, em vista da necessidade do próprio conjunto em razão da falta de tecladistas e também de um  acidente automobilístico com ele ocorrido no autódromo de Fortaleza, passou a tocar órgão eletrônico, instrumento que aprendeu rapidamente. O Adalberto também fez parte da estrutura básica do conjunto por muito tempo. Além de tocar no conjunto, dirigia com grande habilidade, dividindo comigo a responsabilidade de levar e trazer “numa boa” todo o grupo para as viagens que fazíamos. Passamos por inúmeras situações difíceis, ao volante, mas graças a Deus sempre nos saímos bem. Hoje em dia é engenheiro agrônomo e mora em Fortaleza. Residiu em Balsas por muitos anos, onde exerceu função pública de Chefia no Instituto de Terras do Maranhão (ITERMA); também foi professor de Química e Biologia na Universidade Estadual do Maranhão (UEMA). Atualmente é consultor da Tijuca Alimentos, grande empresa produtora de ovos e frangos do Estado do Ceará.

 
João Ribeiro da Silva Neto – (Beiró) - guitarrista-solo, tecladista e vocalista. Desde novo estudou música e se dedicou  à profissão com todo o entusiasmo possível. Como guitarrista-solo do conjunto usava sua guitarra para “tirar” todos os sons possíveis. E tentava os sons “impossíveis” com o auxílio de pedais de efeitos diversos. Pelos solos, efeitos e improvisos agressivos, chegou a ser considerado como um dos melhores guitarristas do Norte e Nordeste, segundo comentários da imprensa local sobre o meio artístico e publicação da TV Rádio e Revista. Em um dos shows do cantor Ednardo Sousa, no Teatro José de Alencar foi muito aplaudido por um dos improvisos na guitarra. Seu objetivo como músico era o profissionalismo: ser um músico correto, tanto com seus companheiros quanto com o público em geral. Sempre buscou o aprimoramento das técnicas musicais, procurando fazer o melhor possível dentro das possibilidades existentes. O que hoje em dia se chama de “Qualidade Total”, cujo princípio é, “fazer certo da primeira vez”. João Ribeiro, talvez por intuição, já empregava esses conceitos naquela época.

Três livros sobre o Conjunto Big Brasa

E continuam as comemorações relativas aos 50 Anos do Conjunto Big Brasa. A história completa do Conjunto Big Brasa, escrita por mim, João Ribeiro da Silva Neto, está em três livros sobre o período. Os mais recentes lançados em abril de 2017. Vale dizer que estas publicações são únicas em todo o Estado do Ceará e representam registros históricos e culturais de um período muito importante da música, os chamados Anos 60 e a Jovem Guarda!




Algumas das pessoas da comunidade de Balsas, muitos deles nossos parentes, que também incentivaram este grande evento realizado em 1967, no Clube Recreativo de Balsas (CRB) com o Conjunto Big Brasa.

Antonio Adolfo
Elísio Coelho
Francisco Coelho
Isaura Fonseca
Joaquim Coelho Júnior
Júnior Coelho
Lourdes Santos
Lucíola Santos
Luís Pires
Nathan Botelho
Nizete Queiroz
Vânia Solino Coelho
Wagner Pires Coelho
Wálber Queiroz
Walter Queiroz
Wellington Fonseca

(In memoriam) – em ordem alfabética

Alberto Ribeiro da Silva
Aluísio Soares
Antonio Pires
Geminiano (Gimi)
Gonzaguinha Pereira
Joaquim Coelho
José Bernardino Pereira da Silva
Leonizar Braúna
Moisés Coelho
Pedro Ulisses Coelho
Perolina Milhomem Coelho
Pimba
Raimundo Chaves


(*) João Ribeiro da Silva Neto: é formado em Música, guitarrista-solo e posteriormente tecladista do Conjunto Musical Big Brasa, banda que marcou forte presença em Fortaleza e no nordeste nos Anos 60 (Jovem Guarda); posteriormente desenvolveu a sua prática em diversos instrumentos musicais e foi por alguns anos produtor musical na televisão cearense na TV Ceará, Canal 2, da extinta Rede Tupi de Televisão e ainda sonoplasta na Televisão Educativa do Ceará (TVE).    

O autor dos livros sobre o Conjunto Big Brasa gosta também das atividades de Inteligência, eletrônica, radioamadorismo e tecnologia. Aprecia os esportes radicais, tiro ao alvo, viagens e aventuras na natureza. Com muita simplicidade diz que gosta também de escrever alguma coisa que possa servir de conhecimento para a sociedade em geral. 

Mantêm como registros musicais três livros sobre o Conjunto Musical Big Brasa, de Fortaleza, Ceará, obras únicas no cenário musical e literário cearense sobre o  assunto. 
Curte bastante o trabalho em edição de imagens, sonoplastia e toda a área técnica. 

Mantém publicações em diversas mídias a respeito do Conjunto Big Brasa no Portal Messejana, em Destaques, 20 Anos de Embalo! No Youtube, um espaço para sua eterna paixão – o Conjunto Musical Big Brasa.

Exerceu também por anos o cargo de Analista de Informações do Ministério do Trabalho, hoje denominado Oficial de Inteligência na atual Agência Brasileira de Inteligência (ABIN); atuou na Chefia da Segurança Orgânica, de Informática e da Documentação, na Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República. Atualmente é Diretor do Instituto Portal Messejana e escreve também no Blog do João Ribeiro, no qual aborda assuntos de interesse geral da comunidade e de outros campos de expressão do poder nacional. Prático e racional e com múltiplos interesses, defende com entusiasmo as causas em favor do Brasil, gosta de música e aprecia Artes Marciais e a natureza, com ênfase para técnicas de sobrevivência na selva e ambientalismo.

Atualmente tem o Portal Messejana, site do Instituto Portal Messejana, como uma de suas atividades principais. A fotografia digital como sua atividade mais prazerosa. Procura manter coleções de fotografias no Flickr e algumas delas já foram selecionadas pelo Getty Images.

No Instituto Portal Messejana (http://www.portalmessejana.com.br) João Ribeiro desenvolve a parte técnica e a direção editorial, área muito interessante por ser de utilidade pública.  


sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Conheça sua realidade e seus limites

Quando você deve olhar para baixo?
 
Desde minha juventude ouvi expressões do tipo: “você deve sempre olhar para frente, para cima e nunca para baixo”. Por algum tempo assimilei essa orientação e pensava assim também, seguindo a orientação de pessoas que eu considerava mais experientes. Mas ao longo de minha existência e das próprias experiências de vida comecei a observar que todos nós possuímos sonhos a alcançar e metas a serem atingidas e que alguns objetivos não serão alcançados, certamente. A consciência disso tudo é saber e admitir esta verdade desde cedo. E que devemos olhar para cima, mas também para baixo, principalmente para estabelecer um ponto de equilíbrio, fazer comparações e assimilar referências.

A felicidade pode ser encontrada em diversos níveis. No convívio e no relacionamento com as pessoas, no trabalho, em família, como também por conquistas materiais obtidas. Mas não é só isso: com a maturação de nossa personalidade devemos ter convicção de que os momentos felizes não serão uma constância em nossas vidas. Então volta a pergunta inicial: Quando você deve olhar para baixo?

E a resposta é simples. A observação dos povos, de tudo aquilo que ocorre com as pessoas no mundo inteiro, em diversos países ou mesmo perto de onde estamos, na mesma cidade, talvez muito próximo de nós. Examine vários aspectos nos locais onde você vive, por exemplo: podem existir pessoas extremamente abastadas, mas ao mesmo tempo outras ditas remediadas e uma classe muito carente. E as comparações, se você fizer uma reflexão, serão inevitáveis.

Conhecer seus limites, isso poderá ser a chave da felicidade!

Se uma pessoa viaja muito para o exterior, não significa que ela seja feliz e você não. Ao mesmo tempo, se você não consegue os mesmos objetivos materiais, mas tem saúde, isso pode ser o motor de sua boa vida. Vamos exemplificar com os esportes. Um corredor campeão, em qualquer modalidade, tem que possuir as características para o sucesso obtido. Muitos treinos, altura adequada para o tipo de corrida, comprimento das pernas, desenvolvimento de sua musculatura entre várias outras condicionantes. Caso você queira também competir e se igualar àquele vencedor pode ser barrado simplesmente por não possuir uma ou mais características físicas exigidas para aquele esporte. Então o que fazer? Conhecer seus limites! Não pode ser um corredor? Então procure ser o melhor em outra atividade e seja feliz. Li alguns textos que falam muito da importância de sabermos diferenciar o que é importante do que é famoso. Você pode ser muito importante na vida... E não ser nenhum pouco famoso. E daí? O que vale é a sua felicidade e os benefícios que ela incorpora ao seu espírito e personalidade. Observe a felicidade existente em algumas populações muito sofridas, que se contentam apenas em ter água, por exemplo. E ficam extremamente quando conseguem aquele benefício. Por outro lado aqueles que possuem tudo, mas visivelmente demonstram sua infelicidade, talvez mesmo pela ganância de sempre desejar mais!

Quando olhar para baixo?

Se em determinado momento ou circunstância você se sentir deprimido, insatisfeito, triste ou infeliz com alguma situação, é o momento exato para isso. Olhe para baixo! Examine calmamente as pessoas que se encontram em situação incomparavelmente pior do que a sua! Não para se alegrar com isso, mas para que saiba onde exatamente você está e valorize sua vida, suas condições. Faltou alguma coisa em casa e você reclamou? Pare e pense que existem milhares de pessoas que nem mesmo lares possuem! E tenha a imediata consciência de que você é um felizardo.

Então não devemos nunca olhar para cima?

Não, não é exatamente isso que disse. Nós devemos sempre buscar nossas melhoras! Um operário em grau de aprendiz de uma indústria deve procurar fazer sempre o melhor para aprender, evoluir, conquistar novos espaços e chegar aos mais altos níveis possíveis dentro de sua área. Mas ao mesmo tempo se este operário tem algum percalço no caminho não deverá desanimar nunca. E para que aumente seu grau de felicidade, por exemplo, ter a consciência de que está sendo aprendiz e tem a chance de evoluir, enquanto milhões de pessoas nem mesmo emprego possuem e assim ficam impossibilitadas de ter o mesmo acesso funcional.

O valor da felicidade

Eu, por exemplo, conheço algumas de minhas limitações. Quanto aos conhecimentos, tenho a plena consciência de que poderia ter aprendido mais. De ter realizado muito mais. A vida me proporcionou este sentimento e a idade da razão talvez contribua com o discernimento encontrado. Mas, apesar da mente ser dinâmica e seu processamento de dados incrivelmente bem feito, seu exercício constante com o enriquecimento de novos valores é necessário e muito benéfico. Enfim, conhecendo em profundidade o nosso potencial e limites, teremos mais chances de viver mais felizes por mais tempo.    




Estou muito feliz por ter escrito estas palavras, no sentido de que este texto faça alguém raciocinar mais um pouco e assimilar algo de bom. E a felicidade se torna maior quando sabemos que há meios para compartilhar nossas ideias com as novas tecnologias! Aprenda a conhecer e administrar seus limites e seja feliz com eles!

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

O que existe do outro lado da vida?


Uma interrogação que nos acompanhará sempre. Muito embora haja várias explicações, provenientes de doutrinas diversas. É sabido que Jesus disse “na casa de meu pai há muitas moradas” (João, 14), o que me leva a racionar da seguinte forma. Dependendo do grau de evolução de cada um de nós, a morada será em determinado nível, esfera. Em meu modesto entendimento acho que dificilmente, depois de nossa grande viagem, encontraríamos todos os nossos conhecidos desta efêmera e célere passagem terrena. Muitas pessoas escrevem sobre as vidas passadas, quem poderíamos ter sido em vidas anteriores, como reconhecer almas gêmeas e assuntos correlatos. Minha reflexão é, entretanto, sobre o que encontraremos em nossa próxima existência.

Estou agora sem nenhum ascendente em minha família, no que diz respeito a meus pais, que não mais estão conosco e todos os meus tios e tias. E em minhas reflexões isso tudo gerou certa e natural ansiedade, pelo fato de não sabermos o que nos aguardará em nossa próxima vida. Tenho certeza íntima de que há mesmo vários mundos. Costumo idealizar, para fins de conversas sobre o assunto, uma figura de um globo terrestre, com múltiplas camadas superiores. As definições de quais pessoas iriam para essas camadas seriam baseadas pelos avanços que tenhamos conseguido em nossa vida terrena. Tal fato explicaria, por exemplo, por que motivo espíritos mais evoluídos não têm mais nenhum contato ou vínculo conosco. Esses espíritos estariam em uma esfera mais elevada, sem a necessidade nenhuma dessas ligações e se aproximando cada vez mais da energia suprema, do que poderíamos chamar de Deus. Seriam então os espíritos de luz. Por outro lado existiriam outros níveis, “moradas”, cuja possibilidade de eventuais contatos mediúnicos, por exemplo, seriam possíveis.   

Em uma concepção própria, associei os conhecimentos existentes em nosso cérebro, nossas conexões, aquilo que armazenamos ao longo de nossa existência terrena. Dessa forma o nosso espírito estaria intimamente ligado à nossa mente, como um dispositivo fantástico de armazenamento de dados. Mas a pergunta é essa: e quando morremos o que acontece? Penso que a maior parte dos dados ficaria perdida, particularmente aqueles ligados a assuntos considerados banais para a essência do espírito. Mas o que restaria então? Penso que há uma cópia de segurança apenas dos fatos significativos de nossa existência, ou seja, aquilo que realmente poderíamos reutilizar. Um “backup”, como nós podemos fazer em nossos computadores, mas no caso humano uma imagem dos principais dados ficaria gravada em nosso espírito.

Uma planilha espiritual. Tal qual organizamos nossas vidas durante nossa passagem pela Terra, deve haver um controle espiritual individualizado para uma espécie de pontuação por nossas ações. Os resultados seriam logicamente as indicações para as moradas que ficaríamos após nossa Grande Viagem.   

Mistério, essa é a palavra fundamental. O meu pai, que lia bastante sobre o assunto e conversava com as outras pessoas sempre que podia, achava que “no dia em que o homem descobrisse a origem da vida e o fim da vida” o mundo ficaria insustentável. Para ele o homem nunca chegará a respostas definitivas, apesar das inúmeras teses, pensamentos e doutrinas sobre o tema. E eu concordo com os pensamentos dele.

Há anos que se fala sobre a possibilidade de os deuses que possivelmente visitaram a terra terem sido astronautas, vindos de outros mundos. Podemos acreditar nessas teses e nessas evidências, sem que nossas convicções religiosas sejam abaladas? Em meu entendimento sim! A concepção de Deus está muito longe do alcance do ser humano. Portanto, a criação da vida terrestre através do povoamento de diversos locais com diferentes raças é perfeitamente possível. Tudo controlado por Deus.  


quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Situação do Brasil continua muito difícil!

Temos que ser realistas. O natal passou, Papai Noel foi embora, o ano de 2016 acabou e o Réveillon também. Estamos em 2017. Mas a situação do Brasil continua muito complicada, o que todo mundo já sabe. Seria excelente se pudéssemos escrever apenas coisas boas, que acontecem em países desenvolvidos, mas a verdade é imperiosa. Reserve um tempo para tomar conhecimento deste contexto, que é de impressionar. Vejamos apenas algumas condicionantes...

O mercado de trabalho e suas nuances

Poucas pessoas sabem na realidade o que é um Posto de Trabalho. É representado por uma vaga que pode ser ocupada por alguém. Assim, um frentista de posto de gasolina, um vendedor de loja, todos ocupam os chamados postos de trabalho. Muito bem, pois o Brasil perdeu, em 2016, cerca de 800 mil postos de trabalho. Vagas que eram ocupadas e que deixaram de existir. O Comércio encolheu, demitiu muita gente e fechou postos de trabalho. Da mesma forma a Indústria, que demitiu muito e diminuiu suas atividades.  

Aliado a esta diminuição dos Postos de Trabalho há o seguinte: todos os dias centenas ou milhares de pessoas completam 18 anos! E logo vão ao Ministério do Trabalho para “tirar” suas carteiras profissionais e procurar um primeiro emprego. Dessas pessoas, poucas conseguem. O restante vai se somar aos 12 milhões de desempregados em todo o país. Ou seja: o contingente de mão-de-obra desempregada aumenta cada vez mais. No dia seguinte a história se repete – mais pessoas completam 18 anos e vão procurar emprego. Resultado: todos os dias o contingente de desempregados aumenta. E com isso os problemas sociais decorrentes da situação. Estes dados são controlados pelo Ministério do Trabalho em um cadastro, o CGED – Cadastro Geral de Empregados e Demitidos. Para que a situação volte ao normal seria preciso a criação de milhares de novos postos de trabalho em todo o país, além de cursos de qualificação profissional para a recolocação desses 12 milhões de desempregados de volta...

As áreas da Saúde, da Segurança Pública e da Educação também encontram grandes dificuldades. A Segurança Pública perde uma batalha para o crime organizado. Não há polícia suficiente para garantir a segurança populacional, nossas vidas. E o crime avança, o tráfico de drogas também, lamentavelmente.

A seca no Ceará e em boa parte do Nordeste

Como se não bastasse a situação complicada estamos há cinco anos em meio a uma seca no Ceará, que está dizimando o nosso povo, acabando com nossas reservas de água e dificultando a vida das pessoas que moram no interior, especialmente. E ainda com as perspectivas sombrias para um novo ano de estiagem.

Como os políticos se comportam?

A classe política está totalmente desacreditada por muitos. As exceções são raras. Nossos representantes se preocupam efetivamente em manter suas benesses. Trabalham pouco e ganham muito. E tem os quadros não compatíveis com o país. É muita gente que poderia ser dispensada. Pelo menos uns 70 por cento de vereadores, deputados, senadores (juntamente com aqueles que os cercam) poderiam ser dispensados. Não sentiríamos falta alguma. Elo contrário. Alívio é o que dariam para a Nação. E como os maus políticos não se importam nem um pouco com a excessiva carga tributária que pagamos?

Nossas leis, como estão?

Mal. Quase na UTI. Algumas ultrapassadas, outras ineficientes e mais ainda que não são cumpridas. O sentimento de impunidade que o quadro leva para a população é enorme, o desânimo, pois não sabemos a quem apelar. O Judiciário é extremamente lento e não dá conta de tudo que acontece. As leis não são iguais para todos. Além dos foros privilegiados há que se destacar casos onde os acusados detém poder e conseguem a contratação de bons advogados para os livrar de tudo. Os que nada possuem vão para a vala comum.

O medo quase que generalizado

Hoje em dia o cidadão teme ao abastecer seu carro em um posto de gasolina, ao comprar um remédio em uma farmácia, ao chegar ou sair de sua própria casa, ao retirar dinheiro em uma agência bancária, ao praticar caminhadas para se exercitar. Os índices de diminuição da criminalidade apresentados são ridículos. As agências bancárias que são explodidas sistematicamente em todo o país dificultam a circulação do dinheiro entre as pessoas e o comércio, além de expor a população, que pode se tornar refém a qualquer momento nos assaltos. Uma calamidade.

O falido Sistema Prisional brasileiro

Na outra ponta o Sistema Prisional, que está completamente falido. O Estado não consegue reeducar o preso. Assim são formadas em todo o território nacional verdadeiras escolas do crime onde amontoados de pessoas ficam reclusas, em um ambiente inadequado e sem ter o que fazer. Meliantes de alta periculosidade misturados a outros que cometeram pequenos delitos. Tudo “junto e misturado”... As facções criminosas comandam os presídios. Usam as suas instalações para comandar o crime organizado através de telefones celulares. Um verdadeiro absurdo.

O cidadão de bem, sem proteção

No meio de tudo está o cidadão de bem. Está sim, desamparado até pelo direito de sua própria defesa, de portar uma arma. Alguns, a depender do poder aquisitivo, vivem em residências que mais parecem fortalezas, com muros altos, cercas elétricas, alarmes, câmeras, para tentar se defender dos criminosos. Idênticas prisões domiciliares. Quando saem para o trabalho enfrentam em todas as situações a marginalidade, armada, cruel e implacável. E continua o Estatuto do Desarmamento a vigorar, dificultando o acesso a armas por parte de cidadãos do bem. Enquanto os criminosos conseguem todo e qualquer tipo de armamento, muitas vezes com maior poder de fogo e de destruição do que as próprias polícias.

A Polícia e as leis que dificultam o seu importante trabalho

Uma polícia militar que desenvolve ações de repressão ao crime. Prende várias vezes a mesma pessoa. Por exemplo, os menores de idade, protegidos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente. Adolescentes que na sua “inocência” atiram e matam cidadãos em diferentes oportunidades. E matam policiais. E matam seus rivais de facção. E nada acontece. Passam pouco tempo apreendidos e logo voltam ao convício da sociedade. Aos 18 anos todos estão com a Ficha Limpa... E a Polícia Civil, em quase todos os Estados, incapacitada de terminar suas investigações, seus inquéritos, por falta extrema de pessoal, de material, de estrutura e de meios para isso. Milhares de crimes ficam impunes eternamente, uma triste constatação. Apesar de valorosos e competentes policiais, de ambas as forças, não possuem contingente para enfrentar a guerra contra o crime.

A corrupção desenfreada

Diariamente mais casos são noticiados nos diversos Estados da Federação envolvendo empresários, políticos, doleiros, comerciantes, fiscais e uma gama de pessoas na corrupção. A operação Lava Jato faz o que pode. Mas a Justiça não acompanha o seu ritmo. De um modo geral se sabe que são milhões de processos parados em todas as esferas judiciais. As ações se arrastam até que cheguem a seu término com os acusados livres de tudo, muitos por terem os prazos prescritos.

Há esperança?

Como o Brasil tem um potencial grande há que sair da crise e reverter a situação que se encontra. Mas em um tempo que a maioria de nós talvez não alcance.


sábado, 17 de dezembro de 2016

O radioamadorismo em minha vida, muitos contatos no mundo inteiro!

O que é radioamadorismo

Hoje em dia pouca gente sabe o que é um Radioamador! E o que é radioamadorismo. Conforme está nos dicionários, o radioamadorismo basicamente é um serviço de radiocomunicações, destinado ao treinamento próprio, à intercomunicação e a investigações técnicas, levadas a efeito por amadores devidamente autorizados, interessados na radiotécnica a título pessoal como hobby que não visam qualquer objetivo pecuniário ou comercial ligado à exploração do serviço, inclusive utilizando estações espaciais situadas em satélites da Terra. Radioamador, portanto, é chamada a pessoa que utiliza transceptores de rádio comunicação destinados a este fim. Na atualidade os radioamadores utilizam até satélites que destinam frequências para esta finalidade específica.

As estações de radioamador

Existem estações de radioamador desde as mais simples, passando por intermediárias até chegar àqueles sofisticadas ao extremo, com equipamento de última geração, com utilização de poderosas antenas, transceptores e satélites. Mas todas partem de uma vontade e de um interesse igual – fazer amizade e servir ao próximo, além de conhecer outras culturas e se aventurar por contatos diversos em múltiplos países do mundo.

As minhas estações de radioamador foram bastante simples. Na foto ao lado minha filha, ainda muito nova, ouvindo os sons de uma transmissão e achando tudo muito engraçado. Começaram com alguns equipamentos transceptores e antenas caseiras. Depois melhoraram um pouco com transceptores melhores e mais potentes, com antenas que possuíam rotores para direcioná-las automaticamente. Os trabalhos de montagem de antenas, de torres, geralmente eram compartilhados e os amigos se ajudavam mutuamente nas tarefas. O espírito de solidariedade sempre foi mantido até hoje.   

O Código “Q”

Neste texto empregarei algumas combinações pertencentes ao Código “Q”. Você certamente ouviu falar QAP ou QSL, certo? O Código “Q” é uma  linguagem é utilizada como padrão na comunicação via rádio, inclusive pelas forças de segurança pública e defesa social, e a sua utilização da forma correta facilita o entendimento das mensagens, diminuindo o tempo de transmissão de dados. A linguagem do Q, assim também conhecida, é bastante importante para diminuir os erros muito comuns de transmissão da informação pela linguagem falada e os seus equívocos no entendimento.

Iniciando como “PX”, na Faixa do Cidadão

Muito bem, em minha juventude, época em que despertei meu interesse de forma mais forte pela eletrônica (trabalhava como músico, como sonoplasta na TV Educativa do Ceará (TVE) e essas atividades se interligavam de muitas formas. Equipamentos diversos, amplificadores, mesas de áudio, mesas de vídeo, máquinas de videotape, câmeras de televisão, transmissões via rádio, telegrafia... Tudo isso me fascinava.

Dito isso, um dia à tarde (lembro perfeitamente) eu estava de saída do expediente na TVE quando encontrei alguns bons amigos do trabalho (cuja amizade perdura até hoje), José Roberto e Paulo César, que estavam falando de um carro para outro lugar. Cheguei perto deles muito curioso e admirado, ao tempo que observava, perguntei algo assim: “como vocês estão falando?” E logo recebi a rápida explicação do Zé Roberto nos deu. (Ele, que se tornaria mais à frente um dos engenheiros eletrônicos mais capacitados do Ceará, com o seu irmão Paulo César, que nós chamávamos simplesmente de Paulinho). Disse o Zé Roberto que estavam falando com um equipamento de transmissão que operava na Faixa do Cidadão, ou “PX” como se falava também. Esse equipamento se não me engano tinha apenas 6 canais, pois era um dos primeiros que cheguei a ver. O “contágio” foi impressionante. Quis logo saber como poderia participar, adquirir um “PX” e entrar para o radioamadorismo. E assim foi o meu ingresso como operador da Faixa do Cidadão (PX7-10.245, que era o meu prefixo, como QRA – nome do operador: Silva Neto. Na foto acima os meus tios Raimundo e João, em São José dos Campos, São Paulo, na estação de radioamador deles. 

Entrosado como éramos em tudo o que se referia à eletrônica logo aprendi muito com eles e com outros amigos, como o Brito – de prefixo PT7-BLZ – que ele dizia “Brasil Zona Leste” - (in memoriam), que era eletricista da TVE. E depois disso muitos amigos, como o Daniel Menezes, PT7-CLN, o Delano Gondim, PT7-BZK e tantos outros. Aprendi tanto na parte técnica e eletrônica, quando montávamos acessórios, como através de seus exemplos de companheirismo e amizade, pelo que agradeço sempre. E espero ter retribuído isso de alguma forma ao longo dos anos em que me dediquei muito a esta atividade.

O aperfeiçoamento e a evolução para Radioamador Classe “A”

Instalei equipamentos de transmissão em meu corcel e também montei uma pequena estação de radioamador em casa. E de qualquer local que eu trafegava poderia facilmente manter contato com minha residência, com outros radioamadores ou até mesmo entrar em contato com a Rede de Emergência da Polícia, para avisar sobre alguma ocorrência ou eventualmente até pedir apoio, se necessário. Na foto ao lado uma de minhas primeiras estações, com amigos radioamadores. Na parede os cartões de QSL de várias localidades. 

Os equipamentos

E os transceptores foram se sucedendo, o aprendizado também. E aí vieram as antenas, a construção dos melhores modelos, o conhecimento das famosas ondas estacionárias, os amplificadores de potência, os amplificadores de áudio para os microfones e uma parafernália de eletrônicos que utilizamos todos. As experiências eram trocadas no dia a dia. Logo os conhecimentos eram compartilhados. A ajuda entre todos era constante. E nossa amizade também.

O Código Morse

O Código Morse, inventado pela pessoa do mesmo nome, é um sistema de representação de letras, números e sinais através de sons curtos e longos, que poderiam ser enviados eletronicamente de um ponto a outro ou através de sinais de rádio. Esse sistema é composto por todas as letras do alfabeto e todos os números. Os caracteres são representados por uma combinação específica de pontos e traços, sendo que para formar as palavras o operador tem que realizar a combinação correta de símbolos.
Em razão de meu interesse, aprendi rapidamente e logo me interessei pelo Radioamadorismo mais técnico, que necessitava de licenças do antigo Departamento Nacional de Telecomunicações (DENTEL), para operação nas classes “B” e “A”, a mais completa. Comecei a aprender o código “Morse” para transmissões telegráficas (que era exigido nos exames do Dentel). Nos intervalos do expediente na TV, em minha sala de sonoplastia, eu tinha um manipulador de código Morse, um pequeno aparelho que usávamos para o exercício de transmissões. Um dos técnicos da TVE, que não lembro o nome, tinha sido telegrafista de Rede Ferroviária do Ceará e me passava muitas dicas. Enquanto ele fazia seu serviço ficava ouvindo o que eu transmitia (textos de livros, apenas para treinar). O cara sabia tanto e tinha um ouvido espetacular que, mesmo de costas para mim dizia: “repete o “r” porque não está bem escrito... Ou: “alonga mais o final do “N”... Coisas assim.

Os exames no Dentel

Prestei sucessivos exames, primeiramente para a Classe “B” (feito em Teresina, no Piauí) e depois para a Classe “A”, realizado em Juazeiro do Norte, Ceará. Com a aprovação poderia utilizar todas as freqüências de rádio para a classe. Sendo bem sucedido recebi o prefixo PT7-JSN (que alguns chamavam no rádio baseados nas iniciais, de “Jovem Silva Neto” ou Jesus Salvador Nosso (JSN).

A assim foram muitos e bons anos. Atuando na Faixa do Cidadão os radioamadores ajudavam a Rede de Emergência da Polícia Militar (PX7-REC) pelo fato de os “PX” informarem ocorrências de vários pontos da cidade para a Rede de Emergência (equivalente hoje aos Whatsapp e similares).

Os contatos à longa distância (“DX”)

Em estações residenciais mantínhamos contatos com o país inteiro e também com o mundo todo. Era questão apenas de mudar a frequência de alcance e o posicionamento da antena, quase sempre direcional. E eu consegui manter milhares de contatos Brasil afora e pelo mundo todo! Em minha estação eu exibia os cartões postais recebidos, além dos “QSL” que eram cartões de confirmação de contato que em cada um “QSO” (comunicação, conversa) inicial o radioamador tinha por ética enviar depois de cada contato mantido. Foram 171 países com os quais mantive contatos, com centenas de cidades pelo mundo afora. E todos esses contatos confirmados através do recebimento de cartões de “QSL” (confirmações) os quais guardo até hoje. No Brasil nem se fala porque centenas de contatos eram mantidos com os diversos estados. Eu tive que organizar um fichário para registrar todos os contatos, em ordem alfabética, para não esquecer datas, nomes e outros detalhes dos amigos e amigas quando de futuras conversações.  Em um dos períodos mantive uma torre de 25 metros, triangular, que suportava antenas para várias frequências de rádio.
  

O Call Book

O Call Book era essencial para a conferência de dados dos radioamadores do mundo inteiro. Pois o cadastro (como uma agenda telefônica) estava lá, de todos os países. Assim podíamos tirar alguma dúvida no momento de enviar o QSL (que era o cartão de confirmação de contato) para os amigos. Se durante a transmissão a propagação pelo rádio ficava mais difícil ou com chiados nós por vezes não entendíamos algum número, ou o detalhe que fosse. Apenas para fins de simples registro para os leigos, Propagação é o que os radioamadores usam para determinar quando existem meios ideais para uma boa comunicação, tendo em vista que as ondas de rádio sofrem interferência do sol que varia muito de épocas do ano, localidades etc. Então quando os radioamadores falam que a “propagação” não está boa, significa dizer que há muitas interferências (QRM) nos contatos.

O radioamadorismo na família inteira

A vontade e o interesse de ter uma comunicação mais fácil se espalhou pela família. Meu tio Raimundo Ribeiro da Silva e meu pai Alberto Ribeiro da Silva também estudaram e prestaram exames no Dentel, conseguindo suas licenças para operar como radioamadores. Eu conversava como Tio Raimundo e com o papai sempre. Eles gostavam muito das “rodadas” dos radioamadores, que eram encontros em horários determinados para que grupos conversassem. Mais ou menos com as redes sociais de hoje, com a diferença de que os contatos eram mais reais, porque as pessoas conversavam entre si e as emoções podiam ser percebidas pelo tom de voz, essas coisas. O tio Antonio Ribeiro (in memoriam) também foi radioamador. E usava o rádio, além de tudo, para conversar com o filho dele que era militar e serviu muitos anos em áreas de fronteira onde as comunicações não eram muito boas nos idos tempos... 

Cheguei também a me corresponder por um período com um radioamador inglês que morava a 30 quilômetros de Londres. Martin Brooks era seu nome. Conhecíamos a família dele, pelo rádio, as filhas dele cantavam e tocavam flauta. E um italiano, que conhecia muito meu filho Alberto Neto, ainda pequeno, se dizia “avô internacional” dele. 

Utilidade pública do radioamadorismo

Vale destacar que o serviço de radioamadorismo não se presta apenas para diversão. É também de extrema utilidade pública. Houve épocas e ainda hoje existem locais que não recebem redes de comunicação e dependem exclusivamente de radioamadores para se comunicar. Por outro lado a solidariedade via radioamadorismo é incrível! Muitas vezes um radioamador recebe um pedido de um medicamento que está em falta ou nem mesmo existem em determinado local. Através de seus contatos consegue os medicamentos e os envia, por meio próprio ou por intermédio de terceiros, todos fazendo parte de uma grande rede assistencial voltada para o benefício da comunidade. Quantas oportunidades os radioamadores enviaram pedidos de socorro dando conta de acidentes em localidades de difícil acesso e sem comunicação! Em algumas vezes cheguei a participar de ações desta natureza.

Guardo com saudade ainda alguns equipamentos de radioamador e quem sabe possa montar novamente uma estação de rádio e reativar os contatos e as amizades. Fica neste texto o registro de uma eterna gratidão aos amigos da Faixa Cidadão e aos amigos Radioamadores, pelo convívio, pelas experiências trocadas e por uma fase muito interessante e que marcou minha vida, particularmente por forçar o aprendizado e o treino constante do idioma inglês para os contatos internacionais.

Na oportunidade envio a todos um forte 73/51 extensivos a todo o “QTH” familiar, QSL?   

Dedico estas palavras a meus amigos radioamadores que incentivaram o meu desenvolvimento neste campo. Desejando que muita paz e saúde os atinjam sempre em seus lares, onde quer que estejam neste momento.

SILVA NETO – PT7-JSN

QRA: Silva Neto – prefixo indicativo: PT7-JSN

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Um momento indescritível

Imagine quando você sente verdadeiramente que viveu em um sonho!
Um acontecimento ímpar, maravilhoso.

Consegue projetar uma imagem assim?

Isto aconteceu comigo uma vez na vida, por alguns segundos. Recebi um abraço, com muita amizade! Foi algo sublime e puro. Mesmo com a rapidez de um raio foi marcante e significativo. A presença rápida, o olhar, a fragrância, como se fossem transportados em um repentino feixe de luz, que transportava múltiplas cores de afeto. E deixou aquela impressão de que aquilo teria acontecido de forma real!

Um incrível turbilhão de pensamentos aflorou rapidamente. Tudo sem ter nexo com a vida real, mas dentro daquele contexto mágico de amizade pura, de ternura! Uma fração de segundo que fez desencadear várias boas sensações, todos indescritíveis. Senti estas impressões como se ainda fosse muito jovem. Fazendo minha imaginação voar intensamente por caminhos que outrora conhecia. Intensa pureza, difícil mesmo de descrever. E um sentimento de paz veio em seguida.

Nada foi planejado e tudo mais pareceu um encontro angelical. Mas do mesmo modo que aquele paraíso momentâneo chegou os segundos depois, os minutos e as horas passaram. E o tempo foi dissipando aquela imagem linda e radiante que chegou muito próximo de meu rosto. A realidade e a sensatez nos fazem interpretar tudo como um sonho espetacular, mas a vida real nos leva a pisar firme e ficar apenas com as lembranças daqueles poucos instantes, embora que eternizados em minha memória. O que poderia em um breve sonho ser uma realidade inteira logo deixou apenas sua marca.

O tempo pode acionar mecanismos diversos nas relações. Inclusive trazendo uma distância relativa entre você e quem você está perto fisicamente. E ao mesmo tempo aproximar espíritos através de uma amizade sólida, mas que em alguns momentos trazem sentimentos incríveis, muito bons, mas que podem ocasionar pequenos conflitos mentais tão logo despertamos para a realidade. Mas isto aconteceu, eu tive este sonho e ele me proporcionou vários sentimentos em um só. Como explicar pela escrita?

Impossível.

"O afeto conduz a alma assim como os pés conduzem o corpo" (frase muito interessante, encontrada na internet).

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

O espírito de Natal está desvirtuado

Mensagem de Natal. Todos os anos em nossos encontros familiares de Natal eu costumo escrever pequenos textos com algumas observações sobre a época natalina. Em alguns deles abordei o tema me referindo ao mercantilismo que as festividades natalinas provocam nas pessoas, induzindo a todos para comprar presentes e a comemorar o Natal de uma forma um pouco distorcida. Insisto em dizer que as comemorações do Natal não condizem com a realidade. Algumas pessoas, religiões, tratam o Natal da forma que mais lhe convêm. 

Como reflexão, novo texto para 2016. Mas desta vez com uma diferença: o Papa Francisco, que para mim foi o melhor líder religioso, asseverou através de um pronunciamento feito durante uma homilia, no Vaticano, que o Natal, celebrado pela grande maioria dos homens, é uma farsa. E continuou dizendo que, “com o mundo em guerra e muita gente a sofrer, as festividades cheias de luzes e de cor soam como uma falsidade”.

Para ele as festas de Natal tornam-se vazias e soam falso perante um mundo que escolheu a guerra e o ódio. E continuou: "Estamos perto do Natal: haverá luzes, festas, árvores iluminadas, presépios… mas é uma farsa. O mundo continua a fazer as guerras. Não escolheu o caminho da paz". "Hoje há guerras em toda a parte e ódio. (...) E o que resta? Ruínas, milhares de crianças sem educação, tantos mortos inocentes e tanto dinheiro nos bolsos dos traficantes de armas", denunciou o Papa Francisco.

Da mesma forma o Papa Francisco se referiu em um discurso sombrio, que o atual estado caótico do mundo inaugura os “últimos dias” e que no próximo ano o mundo é susceptível de ser irreconhecível. Destacou o Papa Francisco: “Estamos perto do Natal. Haverá luzes, haverá festas, árvores brilhantes, até mesmo presépios – todos decorados, enquanto o mundo ainda está em guerra”, “Enquanto o mundo está morrendo de fome, queimaduras, e desce ainda mais no caos, temos de perceber que as celebrações de Natal este ano para aqueles que optam por celebrar pode ser sua última.” O pontífice continua: “A menos que o caminho para a paz seja reconhecido, devemos chorar por essas vítimas inocentes que crescem a cada dia, e pedir perdão a Deus. Como Jesus e Deus choram, eu também”.

Eu, ao longo dos últimos 10 anos afirmo as mesmas ideias, de que o Natal foi completamente desvirtuado e serve muito para o comércio, que usa a data para vender mais, ou seja, transforma a data simbólica em um embuste ou arapuca para faturar mais. Por outro lado há muitas condicionantes que podem ser observadas como indicadores fortes de que a vida em si está sendo desprezada. Se não vejamos: as guerras no mundo, o recrudescimento do terrorismo, que assusta a todos, os índices de violência em Fortaleza, no Brasil e no mundo inteiro são impressionantes. Há uma banalização do mal, finalizando com o que assistimos em nosso próprio país, com várias castas dos três poderes da República que se julgam a margem da lei, os incontáveis e intermináveis casos de furtos, desvios, roubos. 

Neste ano de 2016 o Papa Francisco reconheceu vários equívocos da Igreja Católica desde os tempos mais remotos, inclusive o de excomungar Lutero, causando a cisão da Igreja sem necessidade. 
Este Papa Francisco é decididamente o meu ídolo.

O melhor que já apareceu em meu entendimento. Sempre disse - e tenho minhas mensagens natalinas dirigidas a minha família gravadas e escritas, ano a ano. Hoje não me sinto feliz, mas satisfeito pelo entendimento correto sobre o assunto, com muitos de meus conceitos sendo confirmados "apenas" pelo Papa. Assim pode ser que sejam mais valorizados pela própria família, tendo em vista o conhecido ditado de que a “prata de casa não tem valor”. 

Um Feliz Natal para todos. 

Dezembro de 2016 !